Saí e perguntei à terra se a árvore chorou.Ela respondeu-me que lágrimas não a molhou.
Perguntei à grama se o galho da árvore caiu.
Ela a mim respondeu que caíra e sua beleza cobriu.
Saí e perguntei à flor se a árvore frutificara
Confirmou-me que seus frutos eram belos e a sua beleza ofuscara.
Perguntei se a árvore ninhos acolheu.
Responderam-me que por aves ela os escolheu.
Sem perguntar, soube que a árvore com ela trazia
Certa mágoa que a seus caules e tronco doía.
Disseram que essa mágoa se concentrava em sua raiz.
"Consertar-lhe"... Bem que se quis.
Saí e perguntei à árvore o que a ela tinham feito
(Preocupei-me em demonstrar-lhe respeito)
Hesitou em dizer o que a afligia, por um momento,
mas explicou o por quê das suas ramagens abalarem com o vento:
"Quando era semente apenas, fui jogada.
A terra me absorveu, porque a fazer não tinha nada.
A princípio, nada me regava.
Mas certo dia, senti que lágrimas a terra molhava
Uma moça chorava em cima de minhas sementes
Não cessavam-se suas lágrimas descontentes.
Sem perceber, cresci com galhos quebrados
Que forma caindo por nascerem ressecados"
A árvore terminou seu histórico com uma lágrima que escorreu.
Num sombrio vento, um ramo seu se escureceu.
Já não havia beleza naquela árvore perfeita.
Só se via uma velha árvore com uma vida estreita.
Agora afirmo algo que nunca teria afirmado:
"Vistosa árvore morreu feia, com um fim não contemplado!"
Confesso em segredo, o que por muitos foi calado:
"Bela árvore pareceu por uma morta-vida ter chorado!"